segunda-feira, 29 de setembro de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
"Seguir comigo mesma? Consigo e sigo. Mas preferia contigo..."
...entre quatro paredes - tradicionais.
O vigor da idade da glória que já nasce morrendo.
Tropical esperança de que será melhor. E será...
Será que o escorrer do tempo, lento, poderia contagiar o palpitar no peito?
Se sim, por favor!
Porque ele soava...
Mais alto que a canção francesa no rádio.
Mais forte que a luz incandescente do abajur.
Já ouvira falar de cenas parecidas.
Possível que fosse uma intertextualidade charmosa.
Mas era a agonia por querer uma história "só sua" que trazia lábios mordidos.
Diariamente, ali, aprendia na pele sobre a vida felina que corria ao redor.
E a pele de mulher, arisca, transpirava por socorro e repulsa.
Repulsa e SOCORRO!
Fera ferida.
Naquela noite de chuva,
lia o fantástico,
comia o moderno,
bebia o clássico,
chorava o básico.
Ponto infeliz!
(Estava frio...).
Mandava os outros pro espaço.
Para onde, no fundo, desejava estar.
E não só.
De nem poucas, nem de muitas, mas de essenciais,
o melhor lugar do mundo é feito de presenças.
(...mas já começa a esquentar.).
(26/02/2008)
Postado por
Lis Motta
às
13:54
4
comentários
A vida é um circo
No maior espetáculo da terra
(Juventude dos homens)
Aconteceu o fantástico encontro de três atrações
Atraídos:
O palhaço sabido
O vidente menino
A atriz feliz
Três num ato
Sob o olhar da exigente platéia
Formaram uma torre
Sobre palavras ternas
Mas só aos malabaristas e acrobatas
Era permitido subir alto
Para a boa mão de Deus tocar
Como na história antiga
A torre ruiu (a casa caiu)
E na mesma língua ninguém mais conseguia falar
Aí, a coisa ficou confusa
Palavras, canções e poemas já não tinham finalidade alguma
Que perdição, desventura!
O palhaço, desamparado, se foi para a Lua
(Já que não havia palavras, foi-se para diante da qual qualquer palavra parece ser bruta).
O vidente
Que do futuro nunca soube nada
Leu o próprio destino nas cartas
E do nada, viu a mãe pela greta
Chorando, atravessou o oceano de carona no rabo d’um cometa
A atriz
Muito fajuta
Mas ainda assim, uma boa aprendiz
Não precisou fingir estar triste
(Deixou as lágrimas de crocodilo para o espetáculo da velhice)
Voltou às origens
Ao lar doce lar
Foi revisar algumas lições, valores
E reaprendeu a voar
(O céu tinha toda a força da arte de que ela precisava para voltar a sorrir)
Cada um para um canto diferente
Voaram eles, ela, palavras
Mas o maior espetáculo foi este, então
Ver os perdidos se encontrarem na tão falada solidão
(25/02/2008)
Postado por
Lis Motta
às
13:39
2
comentários
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Eis aqui minhas muralhas;
Elas vibram à tua chegada.
Venha!
Minhas mãos anseiam ser pentes para teus cabelos!
Deleita-te em minhas águas frescas,
Beba-me e eternamente nutrirei teu corpo e espírito.
Como ter saudade do que é belo na pátria distante
Se só tua tez morena tem o cheiro e gosto da fortaleza em mim?
Meu berço és tu!
Assim como o sertanejo,
Endurecido pela cidade,
Geme com as cordas da viola,
Sou eu, que balança com o som da tua voz
E do meu peito, sertão cheio de veredas,
Fluem rios de vida,
Saltam os peixes,
Cantam as aves,
Em louvor ao amor!
Ah, se viesses e me tocasses com teus cílios...
Seria suficientemente magnífico!
Teus olhos me cobrem
E nos meus pés um terremoto lança meu mundo ao pó.
Os teus pés...
Lavo-os com unguentos sagrados,
Amarro mexas de cabelos meus em teus tornozelos;
Assim te seguiria,
E seguirias tu a mim.
Sonhas comigo,
E te cubro com as palavras da verdade universal
E com beijos que já são mais teus que tua própria alma!
Juro,
Não terás mais frio!
Faço do teu inverno triste a primavera
Aqueço-te com cobertores de flores raras
E te dou minhas carnes como travesseiro!
Oh, perdoem-me os leitores do acaso,
Que esses versos têm um dono
E dominam-me por inteira!
São moldados pela complacente mão da escrava,
Mas são posses do senhor do meu sono,
Dos meus dias clandestinos,
Do meu amor.
(Lisboa, 10/01/2008 )
Postado por
Lis Motta
às
12:20
7
comentários
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Da Lama ao caos (ficção ociosa pós-moderna e neo-acadêmica)
Ela o viu primeiramente, mas disfarçou.
Ele a viu logo em seguida:
- Hei! Você? O que está fazendo aqui? ; Com tom de desprezo.
- No momento, parada, sozinha e infelizmente olhando pra sua cara... ; Com tom de impaciente desdém.
- Nossa! Jura?
- Não. Não preciso jurar.
- Sua resposta foi idiota.
- Culpe sua pergunta e não a mim.
Silêncio inquietante entre os dois, embora cercados por conversas e risadas paralelas:
- Tenho mesmo que ouvir essas ironias de sempre?
- Nem sempre sou irônico. Senta aqui com a gente?! seria um prazer...
- Verdade. Você é em muitas ocasiões direto, sincero; sinceramente um idiota! Sento não. Obrigada.
- Por nada. E idiota é quem faz idiotices.
- Conclusão genial, Forrest Gump. Embora pouco original. E por nada mesmo. Agradeci por hábito e não por lisonja.
- Só estou te provocando...
- Provocando náuseas!
A atenção de algumas pessoas, curiosas, se volta para o diálogo.
Ela continua de pé esperando uma mesa enquanto ele a observa:
- E por que é que você está toda tampada, aí, com essa roupa? Ficou mais gorda ainda.
- Estou com frio, posso? E emagreço quando quiser, se quiser...
- Sentir frio? Pode. Eu deixo. Você toda tampada está parecendo uma crente.
- Não perguntei se posso sentir frio, bobinho, mas me aquecer. E não me importo em estar parecida com uma crente, até porque eu sou.
- Crente da bunda quente.
- Bunda quente é você que é doido para ser gay e não tem coragem de assumir.
Entre os amigos dele, testas se franzem e olhares se cruzam com horror:
- Acabou?
- Espero que sim.
- Então, ótimo! Garçom, a conta! ; Grita ele.
Ela sorri pelo fim do diálogo e pela mesa, ao lado da dele, acabar de ter sido desocupada:
- Garçom, me vê o cardápio?! Porque odeio o Kieber da mesa ao lado.
(21/06/2007)
Postado por
Lis Motta
às
00:13
5
comentários
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Manga e o conhecimento do bem e do mal

Minha mãe sempre dizia que o fruto proibido, aquele, que o cão serviu à curiosidade da mulher que serviu à ingenuidade do homem, nunca houve de ser uma maça...
Sou amarela
Um amarelo assim
Oculto
Em culto
Uma casca disfarça
Não meu nascimento; cada vez mais longe
Não minha assonância; tremor na voz do desejo
Não! minha tristeza em meio às folhas secas
Sim meu vendaval; mistura as nuanças
Sim minha vaidade; tudo é esse sopro
Sim! minha perversão em meio às frases sacras
A cor...
Amarelo é inteligência
Pensamento, luz
A-cor-do (pecado)
É ouro, reluz
Um azedo, doce, forte
Mas que, nobre, enrubece
E de maduro, cai
Pudor
Amarelo é Manga
(21/06/2007)
Postado por
Lis Motta
às
22:35
4
comentários
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Incrível como é simples, linda e totalmente ela. No mesmo momento em que tudo era o nada, o nada parado, houve o instante em que a vi. Viram-na. E só havia isso; caminhava por entre as mesas até onde eu perdidamente me encontrava. Azul e branco nunca fizeram tanto sentido na minha existência multicolorida. E essa paz azul que balançava como o mar ao vento carrega uma vela secreta e acesa no peito. A nuvem negra que sempre traz nos olhos não disfarça tal chama. Nem mesmo a chuva fria que escorre por eles até as pontas dos seus dedos não conseguia (e jamais conseguirá!) apagá-la.
(05/06/2007)
Postado por
Lis Motta
às
01:32
0
comentários

