No dia em que o deixei
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O gato
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sábado, 1 de outubro de 2011
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O segredo de vida do peixinho azul
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Busca a bússola
Na bravura de existir
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Humanidade em risco (ou profecia do rabisco)
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A mente do espelho da memória airòmem od ohlepse ad etnem
Quando os olhos de duas pessoas se olham suficientemente perto para que se vejam espelhados um no espelho do outro se faz a união de dois poços profundos. Cria-se, então, o Abismo da Intimidade Eterna. Eterna sim, porque o Abismo é de espelhos que, feitos de pó, inevitavelmente retornam seus cacos à origem: o conhecimento primo que os formou.
(18-01-2011)
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domingo, 5 de dezembro de 2010
A morte e o chimarrão
Diferente de muitos com quem dividi algumas experiências intelectuais, principalmente no meio universitário, nunca fui dotada de esperteza extra ou inteligência nata, intuitiva. Estudo línguas, mas não tenho a felicidade de decifrá-las sem a boa e velha ajuda de gramáticas, dicionários, exercícios e repetições. Nem minha língua, o órgão mesmo, se entrega facilmente a novas articulações. A mecânica da fala de uma nova língua me é tão desafiadora quanto fora a mecânica do primeiro beijo.
Como uma criança dita "normal", aprendi a ler na escola de alfabetização, e fui aprendendo, passo a passo, em coerência com o que me era ensinado. Já no quesito criatividade, nao consigo estabelecer um padrão de normalidade, ou intensidade criativa. Indivíduos já são criativos em seus próprios pensamentos. Basta um dos cinco sentidos para haver percepções únicas. Mas quanto a isso, também posso estar enganada. Pelas minhas memórias, percebo que sempre fui muito mais sensível do que criativa. Até hoje tenho certeza de que minhas visões sobrenaturais, sonhos e intuições da infância fazem parte de um contexto maior, e por mais maluquices que pareçam ser, são reais e não frutos da minha imaginação, mas sim, de uma sensibilidade para perceber o invisível.
Eu tinha cinco anos, uma sonseira crônica e muitas perguntas a fazer. Era meu primeiro ano escolar e acordava cedinho todos os dias para ir à escola que ficava a duas quadras do condomínio onde morava em Itapuã, Vila Velha. Acompanhada por minha mãe, descia o prédio com mochilinha nas costas, lancheira na mão e muita vontade de aprender a ler de verdade, porque de mentirinha eu já lia a algum tempo.
Quando descia do prédio, na escada da portaria se encontrava um homem, um tio, uma pai de uma amiguinha. Ele não falava muito, não lembro o nome dele e, agora, nem o da amiguinha, mas a história é real e me lembro sim de que todos os dias ele estava ali, sentado na escada tomando chimarrão, com uma cara de satisfação e reserva como se aquilo fosse seu grande luxo, seu grande momento do dia.
Um dia acordei e minha mãe me deu uma notícia "O pai da ... morreu. Houve um acidente de moto, ele estava de carona...a roda da moto ficou presa num bueiro...ele voou e quebrou o pescoço...".
Chocante, cena forte, já ouvira falar de morte, mas foi a primeira vez que vi alguém pertinho de mim morrendo. A morte podia ser qualquer coisa, mas pelas caras de tristeza, não podia ser bacana. E ele quebrou o pescoço e entendi, sem esforço, que isso doeu bastante.
Minha mãe me levou ao velório, vi o corpo deitado e pessoas chorando. A filinha não estava, e parece que contaram para ela uma história diferente daquela que minha mãe me contou.
Até aí, tudo bem. Ou melhor, tudo mal. Ele voou, caiu, quebrou o pescoço e morreu.
Mas o que vinha depois?...
A vida continuou, continuei acordando cedinho, com a mesma sede de aprender algo na escolinha e, na medida em que os dias passavam, minha estranheza se transformava mais e mais em incômodo com a ausência daquele tio sentado na escada.
E foi assim que entendi, cedendo à força dos fatos, a primeira questão sobre morte: morrer é não poder mais aproveitar uma manhã, e reservá-la só para tomar chimarrão.
(05-12-2010)
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