segunda-feira, 15 de março de 2010

Naquela noite de domingo em que falou
Sobre ser uma unidade novamente
E sobre como se sentia estranho comigo
Eu morri
Sem exageros, morri
Morri porque, estranhamente, o que te dava medo
Era o que sempre, eu e você, mais amamos em nós:
Essa mistura de estranheza com intensidade
Que todos notam, se escandalizam;
Dois ímpares, canhotos, opostos, compartilhando escolhas terrenas com afeto e alegria
Morri porque não acreditei no desamor
Em você assobiando na cozinha, lavando vasilhas
Enquanto eu definhava no sofá
Engasgando amor-próprio, memórias e MUITA RAIVA
Morri, nem te reconheci; você anunciando boas novas do acaso
Em primeira do plural
Calmamente...
E eu, sua, nula, puta, plena, dizendo: "sei o que quero."
Eu realmente queria sobreviver, e talvez a boa nova é que o acaso permitiu
Enfiaram-me num banho frio, conversaram comigo, alimentaram-me.
Providencial...
Obviamente outras noites vieram. E com chuvas desnecessariamente românticas
A lua passou, o sangue passou, a depressão, mas você não
E voltou;
Graças a Deus!...
Como sempre volta o dia ensolarado à Itapuã. Como sempre voltam os dias de entendimento
Mas naquela primeira noite de lua cheia de peixes,
"Ó Grande Virgem!",
Você não passava de um pequenino perdido
Que eu estava prestes a engolir.

(07/03/2010)

2 comentários:

camila bravim disse...

cara eu adoro esse seu estilo de poesia, sincero, piegas, mas extremamente não piegas

Isadora M. disse...

eis que venho agradecer o elogio de modo sincero, sem cair no "imagina!", e nem no "já imaginava!"; eis que me deparo com uma sinceridade meticulosa que me cala a boca e me faz simplesmente dizer: obrigada, pelo texto.

beijos,

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