terça-feira, 13 de abril de 2010

amor habitat

Para Rodolfo


Não se engane com o que vê, amor
entre os lençóis e as vassouras.
Cotidiana, fui domesticada, não nego
mas há vida em mim. Há vida!
Simples e vaga
mas acesa de sentidos:
Há o cheiro do pão, do feijão e do mar
(e quão delicados eles são...).
Há um ruído de bicho, de mato, que me sooa estranho
e um de rio, de cascata, que me sooa como um lindo sonho.
Há minha mãe, minha destra
e há ainda minha mão
sinistra, unida ao Selvagem.
Você; meu pássaro livre
policromático
que me conta, em altos vôos
a fantasia de cantos e cores reais
a realidade de cheiros e gostos fantásticos
e me ensina muitas outras coisas
sobre a arte da espontaneidade.
Oh, meu pássaro-amor...
Tá na mesa
Vem comer, vem?
Celebremos a maravilha deste vôo juntos
Mas celebremos também o chão, a gravidade
Pois são eles que nos fazem sentir tão agraciados em poder voar.

(13-04-2010)

3 comentários:

fingers disse...

estimulas-me o poeta, mas prometo ser teu leitor, porque me inspiras.
lindo poema.
lindo
lindo
linda a forma como sentes as coisas.
obrigado por escreveres e tornar mais leve em mim o fardo da poesia.

FLÁVIA DE MACEDO disse...

Ah....os poemas de amor são sempre os melhores...

Laís disse...

uau!