quarta-feira, 25 de abril de 2007

E ela,
num dia,
meio da correria,
locomotiva da vida,
foi parando, parando e parou.
Sentou.
Pensou.
"cansei"-pensou-"saco cheio, ué! Já não tenho prazer nesses meus dias".
Pensou em cantar, mas não cantou.
Pensou em contar, mas não contou.
Resolveu não sofrer mais (nunca mais) a dor dos poemas e dos poetas.
A dos românticos então,
"sofrer não e não!"- disse ela-"teve o seu momento, sua ternura e candura...".
Despojou-se das flores,
dos espinhos,
dos olores
e arrepios.
Pôs grossas luvas para não sentir a dor do toque mais suave.
Tirou as sandálias.
Sim.
Descalça, e já com bolhas nos frágeis pés, seguiu pisando forte sobre a terra.
Na Terra mesmo.
Soberana vocação!
Esperança de chegar um dia,

enfim,
ao que é

essencialmente,
bom, agradável e perfeito.


(19/09/06)

4 comentários:

es ist nicht fragil disse...

o eu-lirico se parece com vc heim?
comigo tb.
todo mundo tem seu dia de cansasso, mas parece ser muito mais dolorido e feio ...
por isso a arte é tão linda, por que mascara....
hehehe

fingers disse...

vc quer um comentário aqui, é? `=P

lembro de já ter lido esse poema, foi logo quando descobri seu blog. nessa época vc tinha mais influência minha, haha. agora fui eu quem pegou influência sua, percebeu?
amo!

Diego Barbosa disse...

nhooo! não é lindo esse tráfico de influências poéticas...

amei o poema lis. estava sentindo falta de ler escritos teus. quase tanta falta quanto sinto de ti.

estou definhando sem vc.... desnaturada!

temos que nos ver logo.

camila bravim silveira disse...

é daqueles estilos de poemas que vc escreve e eu adoro!!!